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08 de Agosto de 2015

Crianças digitais: Uma reflexão

Será que as crianças de hoje são diferentes das de antigamente? Essa é uma questão que sempre me deparo e considero difícil de ser respondida.

A meu ver, as crianças sempre serão crianças, por que elas gostam de brincar, de enfrentar desafios, de descobrir coisas, de pular, de correr, de gastar energia, enfim, as crianças, independentemente da época em que vivem, sempre serão crianças, no entanto, acredito que o que mudou foi o mundo, os brinquedos (hoje cada vez mais tecnológicos) e a maneira com que elas interagem com este novo mundo.

O acesso à internet por meio de tablets, smartphones já se tornou um grande complicador em relação à convivência e interação das pessoas. Cada vez mais, as pessoas estão se isolando com estes equipamentos (devido aos jogos, aplicativos e redes sociais) e deixando de conviver entre elas, onde poderiam desfrutar de uma experiência real, de carne e osso e olho no olho. Observo muito em restaurantes, por exemplo, famílias sentadas à mesa, mas completamente isoladas umas das outras, estando cada um com seu tablet ou celular, pouco interagindo e não dando oportunidade para a troca interpessoal, tornando o convívio entre elas cada vez mais limitado e empobrecido. E as crianças, algumas até antes de aprenderem a falar, cada vez mais interessadas e hábeis a manipular tais equipamentos.

Isso me faz pensar que uma luz de alerta já está piscando, para que nós pais possamos refletir a respeito dessas questões.

Mas o que fazer? Como agir em relação a essas preferências das crianças?

Em primeiro lugar, os pais precisam observar a si próprios e tentar descobrir qual o lugar que eles colocam esses equipamentos em suas vidas e o quanto não estão também substituindo o convívio real pelo virtual.

É muito cômodo para as famílias, hoje em dia, manterem as crianças quietas envolvidas com seus aparelhinhos eletrônicos. Mas é neste momento que os limites precisam ser estabelecidos, bem como o estímulo de outras atividades (não eletrônicas). Cabe aqui fazermos também uma reflexão a respeito do lugar em que as crianças ocupam na vida de seus pais e o quanto é fácil hoje em dia transferir os cuidados que se deve ter com os filhos para terceiros, assim como entretê-los com os recursos digitais.  Filhos precisam ser prioridade na vida dos pais.

A tecnologia está aí para nos ajudar, a tornar as nossas vidas melhores, contudo penso que tudo que é demais, faz mal. A diferença do remédio que cura para o veneno que mata, pode estar na dose utilizada. Então, sugiro que prestemos atenção, que olhemos para as nossas crianças com o cuidado que elas necessitam, para que se tornem adultos saudáveis e interessantes.  

 

 

 

 


Por Cynthia Boscovich