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06 de Junho de 2015

Limites e broncas na educação dos filhos

 

Este é um assunto um tanto quando polêmico e me faz pensar em muitas coisas a respeito.

Primeiramente me ocorre que se faz necessário refletirmos a respeito das diferenças entre limites e broncas. Ambos podem, em algumas situações, parecer a mesma coisa, mas de fato não são.

Não necessariamente uma bronca está relacionada a um limite e vice versa. E nem todo limite precisa vir acompanhado de uma bronca.

Os limites são importantes para que as crianças se estruturem internamente. Eles contribuem bastante para a organização psíquica delas e faz com que, em muitos casos, se tranquilizem e sintam-se aliviados em relação aos seus sentimentos e também à estrutura ambiental, no qual estão inseridas.

Os limites precisam ser simples e claros, pois é somente a partir deles que as crianças – e os adolescentes também - compreendem até onde podem ou não podem ir, pois em um primeiro momento eles são externos e depois disso são incorporados. É por isso que vemos muitas crianças em ambientes diferentes do familiar recebendo elogios sobre a maneira de se comportar, por exemplo. Isso mostra que o que foi primeiramente imposto, com o tempo foi introjetado pela criança, pois colaborou também para a sua integração social. É claro que estou sendo simplista, pois os limites são amplos e abrangem diversas áreas não só relacionadas a comportamento.

Já as broncas, assunto que me dispus também a discorrer aqui, merecem ser tratadas com um cuidado especial. Muitos pais acham que as broncas são necessárias e pedagógicas para as crianças, alguns deles defendem até o “psicotapa”, entretanto devo ressaltar que as broncas precisam ser claras e terem um sentido para a criança. Os pais precisam saber o porquê de estarem dando bronca nos filhos, e isso deve estar esclarecido para todos, assim como os castigos, que precisam ter início e fim e com objetivos bem definidos. Por isso prego a transparência dos limites, que precisam ser claros para que consequentemente as broncas façam sentido para não só os pais, mas principalmente para as crianças.

Mas independentemente do motivo pelo qual as broncas são dadas, considero importante que os pais reflitam sobre também os seus próprios limites de tolerância e paciência, pois o que vejo é que muitos, mesmo inconscientemente, não conseguem perceber o que de si está envolvido na relação com seus filhos, envolvendo expectativas, frustrações, ansiedade, sua própria historia de vida, entre outras possíveis questões.

Por isso, é sempre importante buscar ajuda de um profissional, mesmo que seja para discutir ou receber orientações sobre essa tarefa tão sublime e árdua ao mesmo tempo, chamada educação de filhos.

E quem nunca teve dúvidas sobre estar no caminho certo em relação à criação de filhos, que atire a primeira pedra.


Por Cynthia Boscovich