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01 de Janeiro de 2013

Medo do Parto

Para muitas mulheres, o parto representa algo obscuro, desconhecido e talvez isso justifique o temor em relação a ele.

Em algum momento da gestação, inevitavelmente esse medo aparece e pode estar relacionado a diversos motivos, como por exemplo, temer sentir dor, não conseguir entrar em trabalho de parto, não ter parto normal e ser obrigada a se submeter a uma cesariana, morrer no parto, tomar anestesia, entre tantos outros. E existem ainda os medos posteriores ao parto, em geral relacionados aos cuidados com o bebê e às mudanças de vida que ocorrerão após a chegada da criança.

Tento sempre entender o que tudo isso significa, no entanto, o que me ocorre é que antes de mais nada, precisamos discriminar esse medo.

O medo constitui uma perturbação diante de uma ameaça, real ou imaginária. A situação talvez não seja concreta, mas sabemos que o medo existe e é a isso que estou me referindo.

Parto, segundo o dicionário, é o ato de parir, mas também pode dizer respeito a uma situação cansativa e difícil. Contudo, quando falamos de medo de parto, invariavelmente o associamos uma situação de ameaça, e já sabemos de antemão que estamos fazendo menção a algo que poderá ser longo e exaustivo.

Existem muitos mitos relativos ao parto e, principalmente quando se trata de parto normal, em geral estão vinculados ao medo de sentir dor, de vivenciar uma experiência que talvez se revele longa e desgastante, sobre a qual não há como ter controle absoluto, ao contrário dos partos por cesariana, que, muitas vezes, são até agendados. 

Fala-se muito que o parto normal causa muito mais dor que a cesariana. Talvez esse seja um dos principais motivos que levam algumas mães a desistir de ter um filho por meio de parto normal. Claro que nesse momento sabemos que a palavra final acaba mesmo sendo do obstetra e, se ele não priorizar o parto normal e não tiver uma estrutura de equipe para atender a essa demanda, dificilmente diminuirá suas taxas de cesariana.

Pouco se fala, no entanto, dos benefícios de um parto normal para a mãe e para o bebê e que a cesariana existe para os casos em que o parto normal não foi possível ou oferece risco para a qualquer um dos dois. O que era regra agora virou exceção, e isso me entristece muito.  A mulher que dá à luz pelos métodos normais, de forma segura e consciente, sente-se muito mais a protagonista do seu parto, além de mais forte no que se refere à sua feminilidade.

O Brasil foi considerado o país que tem o índice de cesariana mais alto do mundo, atingindo 44%, mas sabemos que na rede privada de saúde essa taxa sobe vertiginosamente, chegando até a ultrapassar os 90%.

E eu me pergunto: se tantos médicos sabem que o parto normal é melhor para as mulheres, o que os estimula a aumentar cada vez mais esses índices de cesariana?

Uma das respostas para isso certamente seriam as questões econômicas que um parto normal exige. A fim de conseguir elevar o número de partos normais realizados, um médico inquestionavelmente precisa ter uma estrutura bem montada e uma equipe confiável e isso se torna cada vez mais complicado, se levarmos em conta a política de saúde que inclui também os convênios de assistência médica, pois é inviável ficar durante horas com uma parturiente, aguardando o bebê nascer no momento certo e deixar de lado as outras pacientes do consultório.

Confiar no obstetra e na equipe que dará assistência ao parto é fundamental para a segurança da gestante e contribui muito para amenizar o medo do parto, assim como conhecer o hospital em que ela pretende dar à luz Além disso, ela deve se preparar internamente e o ambiente para receber o bebê. Contudo, não podemos deixar de lado as questões de cada gestante, que muitas vezes necessitam de cuidado e acolhimento não só familiar, mas também profissional. Ser acompanhada por um psicólogo especializado no assunto pode colaborar muito para o bem-estar da futura mamãe e até para a diminuição de sintomas tanto psicológicos quanto físicos, decorrentes do aumento de ansiedade, que fazem com que muitas substâncias e hormônios sejam secretados na corrente sanguínea da gestante, podendo prejudicar sua saúde e também o desenvolvimento do bebê.

A maternidade é um momento de grandes mudanças na vida de uma mulher. Portanto, estar segura e confiante no momento do parto e no início de vida do bebê, é fundamental para proporcionar um bom começo de vida a ele, para que se desenvolva física e psiquicamente saudável.


Por Cynthia Boscovich