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01 de Janeiro de 2013

A insônia do bebê

 

Se há um assunto que literalmente tira o sono dos pais é o sono dos bebês.

A cada dez famílias que me procuram, posso dizer que dez delas, em algum momento, levantam essa questão. Talvez o façam porque pretendem impedir que a insônia aconteça, talvez porque os bebês já não dormem, o que complica a dinâmica familiar, tornando-se muitas vezes a causa de brigas, discussões e estresse. Isso porque, como todos sabem, uma “noite mal dormida” é agravada ainda mais pela presença de um bebê em casa, necessitando de cuidados exclusivos o tempo todo.

Na verdade, o problema se deve ao fato de o ritmo circadiano no bebê ainda não estar ajustado. Esse ritmo ou ciclo circadiano é o período influenciado pela luz solar, de aproximadamente um dia de duração, em que se baseia o ciclo biológico do corpo humano, sendo responsável por todos os nossos ritmos biológicos e psicológicos.

Quanto menor o bebê, de mais horas de sono ele necessita. Um recém-nascido pode dormir em torno de 18 horas; entretanto, faz isso de forma fragmentada, pois não sabe ainda diferenciar o dia da noite. Portanto, tudo o que ele vive requer um tempo de amadurecimento e adaptação. A adaptação do bebê ao mundo ocorre de maneira gradativa, porém não é só ele quem está se adaptando a essa nova realidade. Os pais, também vivem esse processo e é por isso que o início de vida do bebê é descrito por muitas pessoas como caótico.

Embora o horário biológico dos nenês não esteja amadurecido antes dos seis meses de vida, eles passam pelos mesmos ciclos de sono de um adulto, mas se encontram, na maior parte do tempo, no sono leve e com mais despertares, facilmente justificáveis pela necessidade biológica de sobrevivência que apresentam, como por exemplo, fome ou desconforto causado por dor ou por fralda suja.

À medida que o bebê vai crescendo, seu ritmo circadiano vai se ajustando aos padrões considerados mais “normais” e, aos seis meses de vida, ele já tem condições biológicas de dormir uma noite inteira. Contudo, nessa fase, é possível que outros fatores ainda interfiram no sono do nenê e contribuam para que ele tenha insônia, sendo agora de ordem psicológica, como por exemplo, o desmame. Em outros casos, a criança pode ter pesadelos, sentir-se incomodada pelo nascimento dos dentes, pelos sintomas de algumas doenças e até mesmo por mudanças no ambiente.

Cada vez mais constato a necessidade de os pais receberem boa orientação no tocante à higiene do sono do bebê, pois se trata de um processo biológico e, conforme ele vai crescendo, suas necessidades se modificam e a família precisa se adequar a elas.

Segundo alguns estudos, quanto mais cedo as crianças estabelecem hábitos saudáveis de sono, maiores chances têm de se tornarem adultos com melhor qualidade de sono.

 

 


Por Cynthia Boscovich