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01 de Janeiro de 2013

A frustração de ser mãe e não conseguir amamentar

       

 

No decorrer de todos esses anos de trabalho, constatei a ansiedade de muitas mães e gestantes relacionada ao assunto amamentação. A grande maioria delas, ainda durante a gravidez, expressa grande preocupação por não conseguir amamentar o filho.

Sabemos que a amamentação é até certo ponto bastante simples, justamente por ser algo natural, inerente ao vínculo da mãe com o bebê. Entretanto, essa tarefa apresenta alguns pormenores que necessitam de cuidado e orientação.

Fala-se muito sobre o preparo dos seios para que a amamentação seja bem-sucedida. Isso, porém, não significa que as mães que não prepararam os seios durante a gravidez não conseguirão amamentar seus bebês, e tampouco significa que as que se prepararem se sairão melhores, pois o êxito do aleitamento materno depende de inúmeros fatores.

O aleitamento materno bem-sucedido envolve a mãe, o bebê e o ambiente no qual estão inseridos, e nesse ambiente encontra-se também o pai, figura muito importante e necessária para que a mãe sinta-se segura e amparada para dedicar-se aos cuidados com o recém-nascido. No início de vida do bebê, o mundo deve-se adaptar a ele para que este sinta que o mundo foi ele quem criou. Na amamentação podemos perceber isso com muita clareza. Quando a mãe amamenta o bebê, ele sente que o seio materno é a extensão da própria boca, como se o seio aparecesse no momento exato em que dele necessita. Trata-se de uma experiência muito rica e importante para o desenvolvimento psíquico do bebê, mas para que tenha esses aspectos positivos, a mãe deve estar totalmente envolvida nesse processo de forma natural e prazerosa.

As pessoas envolvidas nos cuidados com o bebê, invariavelmente se remetem à experiência de cuidados que receberam enquanto bebês. Esse processo mobiliza questões muito primitivas e inconscientes, que deixaram marcas corporais e psíquicas, boas ou não. Sendo assim, fica mais fácil compreender o porquê de algumas mães não conseguirem sentir prazer nessa tarefa ou até mesmo a realizarem de forma insatisfatória ou, como ocorre com muitas chegarem até a desistir do aleitamento.

Percebo que muitas mães se sentem culpadas e frustradas pelo fracasso do aleitamento. A sociedade cobra que as mães amamentem os filhos e estejam realizadas com a maternidade. No entanto, observo que isso nem sempre é possível. Nesses casos, é perfeitamente compreensível e saudável para o bebê que o aleitamento seja feito por meio de mamadeira ou de qualquer outra forma, pois quando o aleitamento materno se dá de modo não prazeroso ou com muitas dificuldades, já perdeu sua função principal que é proporcionar a integração do bebê, independentemente dos aspectos nutricionais. A experiência do aleitamento por mamadeira pode ser um grande alívio para mães e filhos.

As mães precisam ser muito bem orientadas para que se sintam amparadas em suas escolhas relacionadas aos cuidados com o bebê, sendo um deles o aleitamento materno. É claro que a boa orientação no início é muito importante, pois contribui e incentiva as mães a não desistirem, mesmo que os primeiros dias não sejam muito fáceis e dependam da adaptação não só do bebê mas também da mãe. É possível que ocorram dores, decorrentes de o bebê não fazer a “pega” adequada ou dos ajustes relacionados à quantidade de leite ser excessiva ou insuficiente. Além disso, alguns cuidados devem ser tomados pela mãe, como por exemplo a ordenha do leite, o bom posicionamento do bebê ao seio, entre outras diversas orientações que se fizerem necessárias nesse momento inicial.

O início de vida saudável para o desenvolvimento emocional do bebê requer paciência dos pais para que tudo venha a transcorrer de forma suficientemente boa.


Por Cynthia Boscovich