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09 de Setembro de 2012

O papel do pai no desenvolvimento psíquico do bebê

 

Quando pensamos em um bebê, inevitavelmente imaginamos esse pequeno ser sob os cuidados da mãe. Ela o carregou no ventre por nove meses e, após seu nascimento, está tão identificada com ele a ponto de conseguir compreender, quase magicamente, tudo o que ele precisa. Ambos formam uma só unidade, é como se fossem “dois em um”. Sem dúvida alguma, a mãe é a pessoa mais adequada para prestar esses cuidados, pois por meio de sua preocupação materna, tem condições de se adaptar ao bebê e atender suficientemente às suas necessidades.

O bebê necessita de um bom início de vida para se desenvolver física e psiquicamente saudável. Um ambiente estável e seguro é muito importante a fim de lhe proporcionar segurança. A mãe precisa estar voltada e disponível para o bebê e, para que isso aconteça, é importante estar inserida em um ambiente que lhe dê o suporte necessário. É nesse momento que a presença do companheiro se mostra imprescindível, pois a função do pai, logo no início de vida da criança, consiste em proporcionar segurança e tranquilidade à mãe, de modo que ela possa prestar os devidos cuidados ao bebê. A presença do pai é fundamental para tornar esse ambiente confiável e propício ao recém-nascido.

Assumir a retaguarda de uma família não significa que o pai não possa conviver com o filho e dispensar-lhe alguns cuidados, mesmo que ainda seja recém-nascido, apesar de a mãe, por ser a pessoa mais apta a cuidar do bebê, acabar se tornando a responsável pela maior parte desses cuidados. E o ideal é que seja assim, porque o bebê necessita de rotina, principalmente nos primeiros meses de vida. À medida que ele vai crescendo o pai se mostra mais presente nesse convívio, e o lugar que ocupa na vida da criança se torna maior, pois a percepção que ela passa a ter da figura paterna aumenta com o tempo e a convivência.

Observo muitos homens que se sentem desamparados e até deslocados no contexto familiar, e o que pode contribuir com isso é o fato de a relação da mãe com o bebê ser muito intensa. Nesse momento, a função do homem é ser a figura forte, capaz de prover e cuidar para que tudo transcorra bem com a mãe e o bebê, mas para alguns nem sempre isso é fácil. Acho importante deixar claro que afigura do pai é tão importante quanto a da mãe para o desenvolvimento do recém-nascido. Entretanto, essa relação de dependência do bebê com a mãe, que cuida dele o tempo todo, pode assustar e provocar até alguns sintomas em alguns homens, como tristeza, desânimo, ansiedade e irritabilidade, entre outros.

Preciso esclarecer que, neste texto, falei de uma família clássica, composta de pai, mãe e filhos. Contudo considero importante pensarmos nas novas configurações familiares hoje existentes. Atualmente nos deparamos com famílias constituídas de diversas formas, como aquelas com crianças filhas de pais solteiros ou separados, de produções independentes, ou famílias em que o homem assume os cuidados com os filhos enquanto a mulher arca com a responsabilidade financeira. Há ainda famílias de casais homossexuais (masculinos ou femininos), entre outras possibilidades.

Observo que essas novas configurações necessitam de orientação, pois o lugar da mãe ou do pai na constelação familiar muitas vezes se torna muito confuso para os filhos, e considero muito importante cuidar disso.

Os pais precisam ter clareza sobre o exato papel que ocupam na vida dos filhos, para que estes possam saber o que esperar dessa relação. Já me vi diante de inúmeros casos e relatos de famílias de pais separados e, inclusive, de casais homossexuais que desempenhavam funções idênticas na lida com os filhos, deixando uma lacuna a ser preenchida, devido à ausência da outra função. E isso, no futuro, poderá acarretar prejuízos emocionais para a criança.

Independentemente da configuração familiar, é preciso ter claro que o bebê necessita de muitos cuidados. Por isso, cada vez mais defendo a ideia de que as orientações devem ser dadas até mesmo antes de ele nascer, a fim de proporcionar um bom início de vida, o que sem dúvida favorecerá uma vida adulta emocionalmente saudável.


Por Cynthia Boscovich